Aventuras de uma Adelaide de Salto Alto

"Pede direeeeito" berrava o gênio do guarana antarctica na minha cabeca quando o avião aterrissava em Asuncion. Pois é, acabei ficando em são paulo, mas a quase mudança pro Paraguai libertou minha porção verborrágica. Então aí está: aventuras de uma Adelaide de Salto alto em terras paulistanas. Mano.

Friday, February 25, 2005

Pavê de Toni Ramos

Sempre fui uma menina muito da limpinha. Quando era pequena, sempre desci pra brincar no plêi (naquela época playground não fazia parte do meu repertório e eu aportuguesava o plêi no maior charminho, do meio das minhas maria-chiquinhas.) cercada de mucamas que conferiam o grau de impecabilidade do meu uniforme branco. Me chamavam de m´lady .
Pra afrontar minha mãe que queria que além de limpinha eu fosse arrumadinha e recatadinha, hoje gasto milhões (dos outros, é bom esclarecer) pra defender a causa de que "se sujar faz bem". Vale dizer também que Milaidy não é mais sinal de respeito, mas o nome de uma recifense espivitada com quem dei aulas de forró. Mi-lêi-di (com sotaque arretado).
Enfim Mc Fly, De Volta Para o Futuro, mas em nome daquela época, eu me livrei das Maria-Franciscas, mas ainda sou bem limpinha. Em condições propícias de temperatura e pressão tomo dois banhos diários, até mais em noites de me emperiquitar e sair bailando por aí.
Assim, tenho verdadeiro horror de comida com pêlo e bebida com bolor.
Uai, como porque? Porque é nojento e pronto, simples assim.Mas vamos por partes:


a) comidas peludas:
Eu até gosto de pêlo, nos lugares certos. No meu cachorro Brownie. Em maravilhosas peças de veludo. Até em tórax masculino (pouquinho, sai pra lá Tony Ramos). Mas em comida não.
Então porque cargas d´água todo quindim tem que ser estragado com pelinhos de côco na parte de baixo? E por que, sempre que você vai em lugares-de-se-fazer-cerimônia ( a rigor, casa da chefe, casa da tia-avó, casa da família do namorado) eles sempre tem que servir comida peluda? é um tal de pavê prestígio, sorvete de côco caseiro, tapioca doce com leite e pêlos de côco. ralados. écati,...
Nada tenho contra o côco. Aliás, em minha defesa, posso dizer que todo domingo, religiosamente, cultuo um ritual entre amigas de lamentação por ter esquecido o dinheiro da água de côco ao sair para andar no parque. Dinheiro esse que sempre lembramos ao sair do parque: suadas, cansadas e com larica-de-água-de-côco.
Agora, ele bem que podia vir sem os malditos pelinhos. Viva os côcos depilados.


b)bebidas emboloradas:

Estava eu no Paraguai, jantando com paraguaios, quando eles resolvem ser simpáticos e pedem um refrigerante pra mim. Refrigerante local.
Adelaide espantada: esse refrigerante tá embolorado?
Rór -re (tenta bonitamente falar português): embe? ambo?
Adelaide: em-bo-lo-rado, repeté
Rór -re (tenta comicamente falar português): em-ba-lô-rado?
Adelaide: quase. serve. respondeee.
Rór -re (perdido) : hein?
Adelaide (já sem paciência): com bolor. pelinhos (olha eles de novo no meio da minha comida) verdes. al funghi. hongoooos. urgh.....
Rór -re (continua tentando): náum, é as pôulpas de a fruta, entéinde?
Adelaide (desconfiada): Polpa paraguaia essa porque estragou, né?


Viu? melhor jantar sem pêlo. E tenho dito.

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